Putin e Xi Jinping discutem Ucrânia, enquanto China reforça presença na Ásia Central

Putin e Xi Jinping discutem Ucrânia, enquanto China reforça presença na Ásia Central

Os presidentes da Rússia e da China abordaram o conflito na Ucrânia durante um encontro à margem da cimeira da Organização de Cooperação de Xangai, no Quirguistão. Segundo o Kremlin, a guerra não foi, contudo, o principal tema da reunião.

Filipe Alexandre Gonçalves - RTP / Adicionar como fonte informativa
Aperto de mão entre o presidente russo Vladimir Putin e o presidente chinês Xi Jinping, durante a reunião que decorreu à margem da cúpula da Organização de Cooperação de Xangai em Bishkek. Sputnik/Kristina Solovyova/Pool via REUTERS

A guerra na Ucrânia esteve esta segunda-feira na agenda do encontro entre Vladimir Putin e Xi Jinping, em Bishkek, mas não foi o assunto central das conversações, segundo o Kremlin, citado pela Reuters.

Os dois presidentes reuniram-se à margem da cimeira da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), que decorre na capital do Quirguistão, até terça-feira. 

O encontro acontece num momento de estreita cooperação entre Moscovo e Pequim e de crescente atividade diplomática na Ásia Central.

De acordo com a Reuters, o Kremlin indicou ainda que Putin e Xi discutiram questões relacionadas com a cooperação bilateral e os principais temas internacionais. A guerra na Ucrânia foi abordada, mas ficou fora do centro das conversações.

O encontro entre os dois líderes acontece no mesmo dia em que a China e o Quirguistão deram um novo passo no reforço das relações bilaterais.
China e Quirguistão assinam tratado de longo prazo

Xi Jinping e o Presidente quirguiz, Sadyr Japarov, assinaram um tratado de "boa vizinhança, amizade e cooperação eternas", durante a visita de Estado do líder chinês ao Quirguistão.

Os dois países assinaram também uma declaração conjunta sobre o desenvolvimento da sua parceria estratégica abrangente.

Segundo a presidência quirguiz, os documentos estabelecem uma base institucional de longo prazo para as relações entre os dois países e abrangem áreas como economia, infraestruturas e transportes.

Xi Jinping classificou o atual período das relações entre Pequim e Bishkek como um "período de ouro" de desenvolvimento. Japarov descreveu a China como uma amiga próxima, uma boa vizinha e uma parceira confiável.

A aproximação acontece num momento de reforço da presença económica chinesa na Ásia Central, particularmente através de grandes projetos de infraestruturas e transporte.

Um dos principais projetos é a ferrovia China-Quirguistão-Uzbequistão. A linha ferroviária pretende melhorar as ligações entre a China e os países da Ásia Central e criar uma nova rota de transporte em direção aos mercados situados mais a oeste.

Bishkek transforma-se em palco diplomático
A cimeira da Organização de Cooperação de Xangai trouxe à capital quirguiz uma intensa agenda diplomática. Além de Xi Jinping e Vladimir Putin, estão presentes líderes da Índia e de outros Estados-membros da organização.

O próprio Presidente do Quirguistão aproveitou a reunião para multiplicar os contactos bilaterais.

Sadyr Japarov encontrou-se com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres. Nas conversações foi abordada, entre outros assuntos, a futura presença do Quirguistão no Conselho de Segurança da ONU, onde o país deverá ocupar um lugar como membro não permanente em 2027 e 2028.

De referir que, António Guterres participa na reunião da OCX Plus, formato que junta os Estados-membros a países convidados, observadores e parceiros da organização.

Ao longo dos dois dias de trabalhos, os Estados-membros deverão ainda assinar cerca de 20 acordos e aprovar uma declaração conjunta sobre os resultados da reunião.
Uma organização criada há 25 anos
A OCX foi criada em 2001 pela China, Rússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão e Uzbequistão. A organização sucedeu ao chamado 'Grupo dos Cinco de Xangai’, criado na década de 1990 para promover medidas de confiança e cooperação entre os países da região.

A segurança regional esteve desde o início entre as principais áreas de cooperação, com destaque para o combate ao terrorismo, ao extremismo e ao separatismo.

Entretanto, ao longo dos anos, a organização alargou o número de membros e as áreas de trabalho. A Índia e o Paquistão aderiram em 2017, o Irão tornou-se membro em 2023 e há dois anos foi a vez da Bielorrússia.

Atualmente, os dez Estados-membros são China, Rússia, Índia, Irão, Paquistão, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão e Uzbequistão.

A organização trabalha também em áreas como economia e comércio, transportes, energia, cultura e cooperação científica e tecnológica.

Além dos membros permanentes, a OCX mantém relações com países observadores e parceiros de diálogo. Entre os países convidados para a cimeira estão Turquia, Azerbaijão, Arménia, Mongólia, Egito, Laos, Vietname e Turquemenistão.

C/ agências
Tópicos
PUB